Magno Silveira, um dos inumeráveis e apaixonados “filhos de Lobato”

Magno Silveira, um dos inumeráveis e apaixonados “filhos de Lobato”

Magno Silveira, um dos inumeráveis e apaixonados “filhos de Lobato”

A paixão de Magno Silveira pelos livros de Monteiro Lobato é prova do extraordinário alcance que tiveram os livros de Monteiro Lobato Brasil a fora.

Nascido em mãos de uma parteira na Fazenda do Lajão, no município de São Pedro dos Ferros, na zona da Mata mineira, o designer, ilustrador e bibliófilo Magno Silveira, já nos tempos de pré-adolescente, morava” literalmente, na pequena biblioteca da cidade. Costumava passar os dias mexendo, remexendo, lendo e relendo o curioso acervo que marcou a sua memória, com a mítica O Tesouro da Juventude e toda a obra infantil de Jose Bento Monteiro Lobato.

Uma das coleções, relembra Magno, de capa vermelha com dourações, que existia na biblioteca, foi ilustrada por André Le Blanc e cada um dos exemplares trazia, extra texto, duas pranchas ilustradas a cores por Jurandyr Ubirajara Campos, o conhecido J.U. Campos. Essas ilustrações coloridas, caprichosamente pintadas, eram o deslumbre do jovem, que mais tarde se tornaria um verdadeiro garimpeiro da obra do pai da literatura infantil brasileira. Narizinho em diálogo com o Gato Félix, a turminha do Sítio montada no Quindim, a onça tentando abocanhar o Sacy, a casinha de Dona Benta com o mastro de São João, são lembranças ainda bem vivas pois as pranchas coloridas de J.U. Campos eram verdadeiras obras primas.

A outra coleção era de natureza mais popular, mais atrativa nas capas, todas elas elaboradas por Augustus, que Magno considera o maior capista de Monteiro Lobato. Augustus, na sua opinião, conseguiu cenas absolutamente cinematográficas desenhadas de modo a unir capa, lombada e contracapa, num todo impactante. Sua capa para Reinações de Narizinho, um grande close up das narinas da menina, é magistral, e tornou-se clássica. O miolo dessa coleção trazia as mesmas ilustrações do André Le Blanc, mas sem as pranchas coloridas de J.U.Campos”, destaca.

Magno, que desenha desde a infância, conta que todo esse deslumbre surgiu naturalmente, inclusive na época ele já se tornara uma espécie de desenhista oficial da pequena cidade de São Pedro dos Ferros.

Nasceu lá, naquela pequena biblioteca, a paixão de Magno Silveira por Monteiro Lobato, por seus livros, por seus ilustradores que, desde 1992, são objeto de sua coleção e pesquisa. Como sempre quis o escritor, eu realmente morei” – e ainda moro – em seus livros e, quando a vida se torna um tanto aborrecida, fujo imediatamente para o Picapau Amarelo onde tenho longas conversas com o Visconde de Sabugosa ao sabor do delicioso aroma que vem da cozinha de Tia Nastácia”, relata Magno.

Magno cursou desenho na Fundação Mineira de Arte e Artes Plásticas na Fundação Escola Guignard, em Belo Horizonte e Design Gráfico na Universidade Paulista, em São José dos Campos, cidade onde mora desde 1991 e há mais de 30 anos comanda com sucesso o Magno Studio Design & Branding, escritório especializado em design editorial, naming, design de embalagens, design gráfico e estratégico, branding, ilustração e websites.

Colecionando livros de Lobato, tem em seu acervo raras primeiras edições de obras infantis do escritor e em 2015 foi o curador da exposição Os Ilustradores de Lobato – a construção do livro infantil brasileiro, montada inicialmente no Sesc de São José dos Campos, em 2015, na qual exibiu uma seleção de desenhos de Voltolino, Kurt Wiese, Nino, Jean Villin, Belmonte, Rodolpho, Raphael de Lamo, J.U.Campos, André Le Blanc e Augustus, ilustradores escolhidos a dedo por Monteiro Lobato, entre os anos de 1920 e 1948. No ano passado esta mesma exposição teve uma versão pocket no Clube Athletico Paulistano, na capital paulista, celebrando os 30 anos do escritório Magno Studio Design.

Alma de bibliófilo e mãos de designer

Lançando um novo olhar sobre a obra infantil de Lobato, usualmente estudada por suas qualidades literárias e temáticas, Magno Silveira tem focado suas pesquisas nos ilustradores e nas soluções gráficas e editoriais que mudaram definitivamente o rumo dos livros para as crianças do Brasil. Com esse trabalho, destacando os ilustradores de Lobato, Magno iluminou também o rico universo artístico das primeiras décadas do século XX.

Com alma de bibliófilo (amante ou colecionador de livros raros e preciosos) e mãos de designer, a riqueza, a originalidade e o rigor dos arranjos expositivos dos trabalhos de Magno não demoraram a chamar a atenção das editoras. Hoje ele faz pesquisas iconográficas (estudo descritivo da representação visual de símbolos e imagens) textos e leitura crítica para as coleções lobatianas da Editora do Brasil e da Globo Livros.

Através de seu escritório, o designer, que também é ilustrador, apresenta em seu portfólio inúmeros projetos de livros, publicações e peças gráficas. Toda essa expertise, aliada ao mergulho técnico e emocional no universo das imagens dos livros de Lobato, levaram Magno ao júri da categoria capa do Prêmio Jabuti 2020.

A reprodução original de O Sacy, de Monteiro Lobato

Este ano Magno Silveira criou a Editora Graphien com o objetivo de levar aos leitores edições fac-similares das primeiras edições de obras da literatura brasileira, a começar por livros de Monteiro Lobato. O Sacy, uma primeira edição hoje raríssima, foi o primeiro lançado no dia 21 de Junho. Para maior fidelidade à impressão tipográfica, foram projetadas matrizesem computação gráfica minuciosamente elaboradas a partir da

análise e compreensão da capa original digitalizada em altíssima resolução”, explica o organizador.

O resultado, foram 1.500 exemplares de um livro impresso em papel importado Munken (150g), no formato original 23x30 cm, com capa dura, sobrecapa grafite e corte circular ao centro, que deixa aparente o detalhe da tricromia da capa original. Nas suas 68 páginas, a edição retrata com rigorosa fidelidade a obra original, trazendo em seu miolo um português de creanças” e hontem”, onomatopeias caipiras, como nhen, nhin” (rangido de pau de bandeira), lepte, lepte” (açoite com vara de marmelo) e vukt, vukt” (balanço em cipó).

O conhecimento minucioso de Magno sobre cada traço dos artistas escolhidos a dedo por Lobato, o mergulho nos contextos culturais das obras e a expertise no campo da produção gráfica estão refletidos nessa impecável edição fac-similar de O Sacy, um marco editorial no resgate de primeiras-edições brasileiras, que celebra os 101 anos dessa obra renovadora do escritor e inaugura o catálogo da recém-lançada editora.

Além do bibliófilo e designer Magno Silveira, a organização da obra contou com a participação de Marisa Lajolo, Vladimir Sacchetta e Cilza Carla Bignotto, estudiosos da obra do Lobato, que contribuíram com artigos especialmente preparados para a edição.

Para adquirir a edição fac-similar de O Sacy, basta clicar neste link: https://www.graphien.com.br/

Você também pode conhecer mais sobre Magno Silveira acessando o site https://bibliotecadovisconde.com.br/ ou seguindo o seu perfil no Instagram: https://www.instagram.com/magno_silveira/ ou no Facebook: https://www.facebook.com/mgn.silveira

 

 

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REFERÊNCIAS:

https://www.ovale.com.br/viver/noticias/30-anos-do-magno-studio-com-a-exposic-o-

https://bibliotecadovisconde.com.br/

https://www.paulistano.org.br/noticias/exposicao-ilustradores-de-lobato-aberta-no-

https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,o-sacy-de-monteiro-lobato-ganha-

https://www.graphien.com.br/