Quando queremos morar em um abraço

Quando queremos morar em um abraço

Quando queremos morar em um abraço

Maio 08, 2021 - Por: Gisele de Luna

Creio que um abraço nunca fez tanta, mas tanta falta como nestes últimos tempos, a ponto de se querer morar nele. É muito abraço acumulado esperando a hora de abraçar, eu sei. É doído não poder abraçar, ainda mais quando há tanta perda, privação e sofrimento no mundo. E aprender a lidar com isso, para uns é mais fácil e para outros nem tanto.

Ilustração de Rafael Sam, cedida por Cleo Monteiro Lobato

Estudos mostram que os abraços têm poderes maravilhosamente incríveis, como desacelerar os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea, além de diminuir potencialmente o risco de doenças do coração. Tudo isso acontece pelo simples fato da pele possuir uma rede de centros de pressão que ficam em contato direto com o cérebro por intermédio de nervos ligados a vários órgãos, dentre eles o coração.

“Gosto de abraço que me embrulha me enlaça e me faz presente.”
Abraçar é uma das maneiras mais simples de liberar o hormônio do amor e da felicidade, sim, oxitocina. Um abraço de verdade tem inúmeros benefícios para o corpo e para a mente.
O abraço é tremendamente importante, na infância traz sensação de proteção que se mantém na vida adulta. Então, é certo que um abraço cheio de carinho tem a capacidade de transmitir acolhimento, aceitação e amor, remete ao aconchego e proteção de mãe, certamente a primeira demonstração de tudo isso que é recebido na vida.
“Tem coisas que só um abraço de mãe é capaz de curar.”
A ausência dos abraços, ou do afeto faz com que as crianças venham a se tornar adultos com insegurança, mais agressivos, e ainda com dificuldades reais de relacionamento. Isso se dá por não terem a referência deste afeto, e inconscientemente buscam meios de se proteger, por não saber lidar com questões ligadas a afetividade. Mas, com muito acolhimento, é possível mudar esta realidade, e o indivíduo se reprogramar para o mundo.

Ilustração de Rafael Sam, cedida por Cleo Monteiro Lobato

Ninguém duvida do poder do abraço. Se o abraço faz tão bem para a saúde, se ativa o corpo todo, ou previne doenças, diminui a ansiedade, regula o estresse, ele é capaz de curar o mundo sim.
A psicoterapeuta norte-americana Virginia Satir disse:
“É preciso 4 abraços por dia para viver, oito abraços por dia para nos manter saudáveis, e 12 abraços por dia para crescer e se desenvolver.”

Então, quantos abraços você já deu hoje? E, quantos abraços você pretende dar amanhã?

É uma explosão de carinho, um gesto saudável, bom para você, ao próximo e ao mundo. Seria maravilhoso indicar a terapia do abraço, mesmo não sendo recomendado a terceiros neste período, devido ao distanciamento social, você pode se abraçar muito, abraçar o travesseiro, a boneca, a natureza - aquelas árvores grandes, como também aqueles que convivem com você.

Ah, marque em sua agenda, dia 22 de maio é Dia do abraço. Esta data teria surgido a partir da iniciativa do australiano Juan Mann que criou a campanha Free Hugs Campaign, em 2004, com o simples objetivo de distribuir abraços "gratuitos" pelas ruas de Sydney. Enquanto não houver a possibilidade de abraçar pessoalmente quem mais ama, você pode enviar mensagens virtuais, elas ajudam a encurtar as distâncias, e são cheias de sentimentos para compartilhar ainda mais abraços neste dia.

Lembre-se, agora que você sabe o quanto abraçar é positivo e terapêutico, quando tudo voltar ao normal, e existir a oportunidade de abraçar alguém, aproveite! Faz bem para você e para o outro, além de ser um ato gratuito e recíproco, um verdadeiro encontro de almas e corações.

Use e abuse do abraço. Não há contra indicações. É isso aí!

Gisele de Luna, psicóloga, crp 06/52233, cerimonialista, recreadora educativa, mãe típica e atípica, ativista em prol da inclusão e acessibilidade. Especialista em Educação Especial com ênfase em Deficiência Fisica, Psicomotora e Intelectual.