Monteiro Lobato, um criador de respeito

Monteiro Lobato, um criador de respeito

Monteiro Lobato, um criador de respeito

FONTE E CRÉDITOS: https://www.construirnoticias.com.br/monteiro-lobato-um-criador-de-respeito/

Lendo e aprendendo

Monteiro Lobato é apontado como o autor que mais escreveu para crianças em todo o mundo, sendo a sua obra considerada a mais extensa de literatura infantil de que se tem notícia. Bateu recordes de vendagem, atingindo entre 1925 e 1950 um milhão e meio de exemplares vendidos de seus livros.

No dia 04 de julho de 2003, fará 54 anos que Monteiro Lobato morreu. Nascido em Taubaté, São Paulo, em 18 de abril de 1882. Aos 9 anos resolveu mudar seu nome para José Bento Monteiro Lobato, pois desejava usar a bengala do pai, gravada com as iniciais J. B. M. L.

Na infância, viveu num universo propício para desenvolvimento de suas histórias. Era chamado de Juca, por suas irmãs Judite e Esther, e gostava de fazer bichos de chuchu com palitos nas pernas. Era um hábito, naquele tempo, as crianças brincarem com sabugos de milho que se transformavam em bonecos. "Por isso, cada um de meus personagens – Pedrinho, Narizinho, Emília e Visconde – representa um pouco do que fui e um pouco do que não pude ser", escreveu.

Aos 14 anos, escreveu sua primeira crônica para o jornal O Guarani. "Sempre amei a leitura. Li Carlos Magno, Robinson Crusoé e todo o Júlio Verne", registrou.

Nas pequenas cidades do interior, escreveu para jornais e revista. Quando seu avô, Visconde de Tremembé, morreu, em 1911, herdou dele a fazenda Buquira, passando de promotor a fazendeiro. Foi na fazenda que escreveu o Jeca Tatu, símbolo nacional.

Para viabilizar a edição de seus livros para adultos, comprou a Revista do Brasil. Urupês iniciou o processo editorial de Lobato. Antes de criar a primeira editora nacional, Monteiro Lobato & Cia, os livros do Brasil eram impressos em Portugal.

Tentou novos métodos de comercialização do livro. Importou máquinas para imprimir no país obras de autores brasileiros. Foi obrigado a desfazer-se da editora e gráfica por ele fundada e que deu origem à Companhia Editora Nacional.

Participou de campanhas contra o que ele mesmo chamou de escândalo do ferro e do petróleo, que lhe custaram a prisão e o exílio. Seus dois filhos homens morreram jovens.

Empresário falhado e escritor bem sucedido, fundou, em 1946, a Editora Brasiliense, para editar suas obras completas.

Pouco antes de morrer, declarou em sua última entrevista, à Rádio Record de São Paulo, que gostaria de ter escrito mais para as crianças, em vez de perder tempo escrevendo para "gente grande".

"Quiseram me levar para a Academia Brasileira de Letras. Recusei. Não quis transigir com a praxe de lá – implorar votos.

Tive muitos convites para cargos oficiais de grande importância. Recusei a todos. Getúlio Vargas (presidente do Brasil na ocasião) convocou-me para ser o Ministro da Propaganda. Respondi que a melhor propaganda para o Brasil, no Exterior, era a liberdade do povo, a constitucionalização do país.

Minha fama de propagandista decorria da minha absoluta convicção pessoal. O caso do petróleo, por exemplo, e do ferro. Éramos ricos em energia hidráulica e minérios, e não somente café e açúcar. Durante 10 anos, gritei essas verdades. Fui sabotado e incompreendido.

Dediquei-me à Literatura Infantil já em 1921. E, retornei a ela, anos depois, desgostoso dos adultos. Com Narizinho Arrebitado, lancei o Sítio do Pica-pau Amarelo. O Sítio é um reino de liberdade e encantamento. Muitos já o classificaram de República.

Eu mesmo, por intermédio de um personagem, o Rei Carol, da Romênia, no livro A Reforma da Natureza, disse ser o Sítio uma República. Não; República não é, e sim um reino. Um reino cuja rainha é a D. Benta. Uma rainha democrática, que reina pouco. Uma rainha que permite liberdade absoluta aos seus súditos. Súditos que também governam. Um deles, Emília, é voluntariosa, teimosa, renitente e não renuncia aos seus desejos e projetos.

Mas eu precisava de instrumentos idôneos para que o trânsito do mundo real para o fantástico fosse possível, pois, como ir à Grécia? Como ir à lua? Como alcançar os anéis de Saturno? Bem, a lógica das coisas impunha a existência desse instrumento. Primeiro surgiu o "O Pó de Pirlimpimpim" que transportaria para todo e sempre, os personagens de um lugar para outro, vencendo o 'ESPAÇO'. O 'FAZ-DE-CONTA', pó número 2, venceria a barreira do 'TEMPO', suprindo as impossibilidades de acontecimentos. Finalmente pensei no 'SUPER-PÓ', inventado pelo Visconde de Sabugosa, em O Minotauro, que transportaria, num átimo, para qualquer lugar indeterminado, desde que desejado."