REINAÇÕES DE NARIZINHO’ NA ESCOLA: COMO DESENVOLVER PROJETOS LITERÁRIOS COM ESTE CLÁSSICO?

REINAÇÕES DE NARIZINHO’ NA ESCOLA: COMO DESENVOLVER PROJETOS LITERÁRIOS COM ESTE CLÁSSICO?

REINAÇÕES DE NARIZINHO’ NA ESCOLA: COMO DESENVOLVER PROJETOS LITERÁRIOS COM ESTE CLÁSSICO?

Na segunda mesa-redonda do dia 5/12, no evento “100 Anos de Narizinho”, Cleo Monteiro Lobato e a doutora em Educação, Sônia Travassos, mediadora da mesa, receberam os doutores em Educação Vanessa Camasmie e Ilan Brenman e a professora e especialista em Lobato, Renata Codagan para falar sobre o processo percorrido pelos educadores para levarem a obra lobatiana ao universo escolar.

No encontro, Brenman, que também é escritor infanto-juvenil, trouxe o olhar da relação entre Literatura e escola. Ele iniciou falando sobre o centenário de Clarice Lispector, autora, que segundo ele, foi formada por Lobato, como é explícito em seu livro de contos ‘Felicidade Clandestina’.

O profissional também lamentou o cancelamento a Lobato nos últimos tempos, relatando uma série de acontecimentos e ataques ao autor, no passado, que vieram de diversos lados opostos de pensamento e mostram que ele era um “prisioneiro de seu tempo” e refletiu sobre a presença de racismo e outras passagens da época na obra lobatiana, como a caça, concluindo que os trechos não contribuem para tornar ou incentivar ninguém, mas para ilustrar épocas distintas. “A vida vai e volta, não é uma linha reta”, afirmou Brenman, que reconheceu a importância de ensinar às crianças sobre nosso passado.

Em seguida, Vanessa falou sobre a mediação entre obras infantis como ‘Reinações de Narizinho’ e as crianças, por meio de sua experiência em atividades no colégio Pedro II.

A doutora contou sobre como funcionaram as atividades de um projeto de leitura desenvolvido no ano passado, que precisou ser interrompido.  Ela afirmou que foi reconhecido, entre os profissionais, o racismo presente na obra e trouxe à discussão a análise de Antônio Candido sobre literatura e sociedade, concluindo que a leitura de uma obra com trechos racistas não significa o incentivo e a formação do racismo às crianças e nem a desqualificação da obra.

Camasmie revelou que chegou a ser pedido na escola para que o livro ‘Reinações’ fosse queimado, citando uma frase de Stalin sobre queimar livros e contou que a obra serviu para abrir discussão extremamente positiva entre as crianças negras e brancas sobre sofrer racismo e o entendimento do que é viver o racismo.

Logo depois, Renata iniciou sua fala afirmando ter ficado emocionada com o relato de Vanessa, principalmente pela ótima experiência que teve quando criança junto à obra de Lobato, lembrando detalhes e vivências. Como arte-educadora, ela contou sobre sua experiência com a obra de Lobato nos espaços culturais por onde atuou, lembrando sobre um episódio em que a evidenciação de termos racistas no livro serviu para provocar e enfatizar que hoje racismo é crime, iniciando uma discussão acerca do tema.

Ao final, os convidados puderam responder perguntas enviadas por espectadores, como Renata, que respondeu sobre um questionamento de como ela se sentia como negra em relação às passagens racistas na obra. A professora disse que foi muito treinada quando pequena pelos seus pais para lidar com o racismo, mas que nem todos têm essa vantagem e avaliou o evento como uma oportunidade para iluminar e trazer ‘futuros desejáveis’ para nossa sociedade.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=_WKmPyQDEfs&list=PLTSOlBY3k3FWHVFdscwCQPT2B-c0jm6qK&index=4

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