DE VOLTA AO SÍTIO – V – A CHEGADA

DE VOLTA AO SÍTIO – V – A CHEGADA

DE VOLTA AO SÍTIO – V – A CHEGADA

De Volta ao Sítio

Por Décio Diniz

V - A Chegada

Tia Nastácia sempre era a primeira a se levantar. O ar fresco da manhã, antes do sol começar a aquecer o dia, lhe era muito reconfortante. Saía para o quintal e sentia o frescor das folhas molhadas pelo orvalho. Depois, na cozinha, começava a encher a casa com aquele aroma delicioso de café.

- Bom dia, tia Nastácia!

- Bom dia, Emília! De pé, já tão cedo? O que a bonequinha vai aprontá hoje?

- Ora! Hoje vamos receber o visitante misterioso de dona Benta.

- Hoje? Mas a sinhá nem respondeu a carta ainda.

- Eu respondi. Detesto esta estória de ter que esperar. Faz-de-conta que o ilustríssimo senhor Visitante recebeu minha resposta e já está de malas prontas. Daqui a pouco, depois do café, estaremos todos na porteira para recebê-lo.

Tia Nastácia às vezes ainda parecia se surpreender com as ideias da Emília. "Ninguém pode mesmo com essa bonequinha", pensou, enquanto tirava os pãezinhos do forno.

Como dizia Narizinho, naquela manhã Emília estava "com a corda toda". Tirou todos da cama, um por um, apressou tia Nastácia para servir o café e logo estavam todos na porteira, liderados pela bonequinha.

- Você tem certeza de que ele chega hoje, Emília?

- Claro, Pedrinho! Confie em mim.

- Por que esse seu interesse tão grande nessa visita, Emília? Depois que eu li a carta, você tomou conta da situação, como se fosse uma de suas reinações.

- Pois não foi ele mesmo quem pediu minha ajuda?

Dona Benta balançou a cabeça, concordando.

Emília olhava para a estrada, apertando seus olhinhos de retrós.

- Vejam! Ele está chegando. Não tem cara de vovô não. Deve ter uns quarenta anos.

O "convidado" de dona Benta trazia uma mochila nas costas, e ao avistá-los na porteira acenou, com um sorriso no rosto.

- Ele está com aquela cara de quem acabou de encontrar algo que procurava há muito tempo - cochichou Emília no ouvido de Pedrinho.

- Tenha modos, Emília!

Dona Benta adiantou-se, cumprimentando o homem que chegava na porteira:

- Bom dia! Seja bem-vindo. Creio que o senhor é quem me escreveu de São Paulo.

- Bom dia, dona Benta! Sou eu mesmo. Mas, por favor, não me chame de senhor. Sempre quis ser seu neto.

- Acho que o senhor não tem idade para ser neto da dona Benta, não.

- Emília!

- Não se preocupe, dona Benta, Emília tem razão. Às vezes penso que ainda tenho a idade do Pedrinho! Sempre quis participar das aventuras com vocês, mas acho que cheguei tarde.

- Também não é assim - lembrou Pedrinho. Tia Nastácia já foi com a gente para a lua, a vovó para a Grécia.

- Isso mesmo, senhor Adulto. Tudo depende de você passar pelo nosso teste.

- Teste? Como assim, Emília?

- O teste da imaginação. E acontece que você já passou. A resposta que lhe mandei foi pelo faz-de-conta, e você fez tudo direitinho como lhe falei.

- Quanto à imaginação, sou igual ao Pedrinho e Peter Pan. Parei de crescer.

- Ótimo! E tenho uma ideia que vai deixá-lo ainda melhor.

Emília pegou a mão do visitante e saiu correndo para o quintal, seguida por Narizinho, Pedrinho e Visconde.